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A importância da ética nas organizações

Por Sílvio Celestino

A sociedade contemporânea está resgatando comportamentos que possibilitem o cultivo de relações éticas. São freqüentes as queixas sobre a falta de ética na sociedade, na política, na indústria e, até mesmo, nos meios esportivos, culturais e religiosos.

Um dos campos mais carentes no que diz respeito à aplicação da ética é o do trabalho e exercício profissional. Por esta razão, executivos e teóricos em administração de empresas voltaram a se debruçar sobre as questões éticas. Nos Estados Unidos, após o escândalo envolvendo a Enron, a Harvard Business School está mais cautelosa na seleção de seus alunos. O ex-diretor geral da Enron, Jeffrey Skilling, formou-se em Harvard em 1979. A famosa escola de negócios passou a incluir um questionário de ética na prova aplicada aos candidatos a uma vaga no curso MBA. Além disso, cada um dos estudantes aprovados são entrevistados individualmente. Os escândalos da Enron e outras companhias dos Estados Unidos mostraram que esquecer-se da ética pode ser um mau negócio.

Nas universidades e escolas brasileiras, nota-se uma modificação gradativa nos currículos com a inclusão e ênfase ao estudo da ética. Hoje, fundações também estão desenvolvendo estudos em ética organizacional.

A Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social – FIDES –, desde a sua fundação em 1986, atua em quatro grandes vertentes que visam mobilizar a sociedade civil brasileira na busca do bem comum: o balanço social, a ética na atividade empresarial, o diálogo social e a formação de novas alianças.

Para a vertente que busca o bem comum pautado na ética na atividade empresarial, é indiscutível que as boas decisões empresariais resultem de decisões éticas.

Uma empresa é considerada ética se cumprir com todos os compromissos éticos que tiver, se adotar uma postura ética como estratégia de negócios, ou seja, agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento com ela. Estão envolvidos nesse grupo, os clientes, os fornecedores, os sócios, os funcionários, o governo e a sociedade como um todo. Seus valores, rumos e expectativas devem levar em conta todo esse universo de relacionamentos e seu desempenho também deve ser avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento de suas responsabilidades públicas e em sua atuação como boa cidadã.

Percebe-se, claramente, a necessidade da moderna gestão empresarial em criar relacionamentos mais éticos no mundo dos negócios para poder sobreviver e, obviamente, obter vantagens competitivas. A sociedade, como um todo, também se beneficia deste movimento.

As organizações necessitam investir, continuamente, no desenvolvimento de seus funcionários por meio da educação.

A maior parte das organizações, independentemente do porte, pode desenvolver mecanismos para contribuir para a satisfação dos funcionários.

Ter padrões éticos significa ter bons negócios a longo prazo. Existem estudos indicando a veracidade dessa afirmativa. Na maioria das vezes, contudo, as empresas e organizações reagem a situações de curto prazo.

O Center for Ethics da Universidade do Arizona, concluiu que as empresas norte-americanas que renderam dividendos por cem anos ou mais, eram, exatamente, aquelas que viam na ética uma de suas maiores prioridades.

A integridade e o desempenho não são extremidades opostas de um contínuo. Quando as pessoas trabalham para uma organização que acreditam ser justa, onde todos estão dispostos a dar de si para a realização das tarefas, onde as tradições de fidelidade e cuidado são marcantes, as pessoas trabalham em um nível mais elevado. Os valores ao seu redor passam a fazer parte delas e elas vêem o cliente como alguém a quem devem o melhor produto ou serviço possível.

Bons negócios dependem, essencialmente, do desenvolvimento e manutenção de relações de longo prazo, e falhas éticas levam as empresas a perderem clientes e fornecedores importantes, dificultando o estabelecimento de parcerias, cada vez mais comum hoje em dia.

A reputação das empresas e organizações é um fator primário nas relações comerciais, formais ou informais, quer estas digam respeito à publicidade, ao desenvolvimento de produtos ou a questões ligadas aos recursos humanos.

Nas atuais economias nacionais e globais, as práticas empresariais dos administradores afetam a imagem da empresa para qual trabalham. Assim, se a empresa quiser competir com sucesso nos mercados nacional e mundial, será importante manter uma sólida reputação de comportamento ético.

Fonte: MARTON, Rosilene. A importância da ética nas organizações. Thompson management horizons. São Paulo, 31 out. 2003.

Disponível em: http://www.tmh.com.br/artigos.php?assunto=Ética%20Empresarial&acao=2. Acesso em: 22 fev. 2005.

* Sílvio Celestino é coach em Marketing.
silvio.celestino@symox.com.br

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